Zeferino Falcão [1918/1919]

34. Zeferino Falcão

No final do século xix, Zeferino Falcão dá início em Lisboa à Dermatologia Clínica.

Licenciado em Coimbra, frequenta estágios em Paris e Viena e, regressado a Portugal, consegue instalar no Hospital de São José, em 1892, a primeira consulta de «Moléstias da pele». Organiza vários cursos práticos e é nomeado professor livre de Dermatologia, o que lhe deu a possibilidade de instalar no Hospital de Santa Marta uma consulta de Dermatologia, que funcionou até ao seu falecimento em 1924.

Foi sócio titular da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa desde 1886 e, durante um período longo, nela desenvolveu uma assídua actividade.

No ano académico de 1918, é eleito Presidente e o seu discurso inaugural versou sobre «o incremento na propagação da sarna». Tomou parte muito activa nas sessões científicas, interessando-se em especial pela reforma do ensino médico que era o assunto que absorvia nessa época a actividade da Sociedade.

Zeferino Falcão deixou uma obra científica relativamente vasta, principalmente divulgadora dos problemas suscitados pela lepra e pela pelagra. Descreveu ser a rinite um sintoma semiológico importante no diagnóstico precoce da lepra, facto só aproveitado vários anos depois com utilidade diagnóstica.

Ayres Kopke [1915/1918]

33. Ayres Kopke

Ayres Kopke foi o nosso pioneiro da Medicina Tropical. Seria precocemente professor da Escola de Medicina Tropical de Lisboa (1902) e seu Director mais tarde (1928).

Médico e oficial de marinha cedo se exercitou na técnica laboratorial junto de Câmara Pestana.

Foi responsável pelas áreas clínica e terapêutica na Missão Médica portuguesa para o estudo da doença do sono, efectuada a Angola em 1901, sob a direcção de Aníbal de Bettencourt. Muitos anos mais tarde, em 1927, chefiaria missão análoga a Moçambique.

Empregando o atoxil foi o precursor do tratamento com êxito daquela doença. As suas múltiplas deslocações ao estrangeiro preencheram um longo apostolado da apresentação dos bons resultados clínicos que incluíam por fim a administração subaracnóideia nas formas graves.

Deste modo representou a Escola de Medicina Tropical de Lisboa em congressos e reuniões internacionais em numerosas capitais do Mundo.

A apresentação original deste tratamento foi feita na Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa em 1906, tendo sido publicada em 1916 uma memória premiada e editada pela Sociedade de Geografia de Lisboa.

Ricardo Jorge [1913/1915]

32. Ricardo Jorge

Ricardo Jorge foi o 32.º Presidente da Sociedade das Ciências Médicas. Formado pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto em 1879, aí criou as ciências experimentais e fundou a moderna estatística demográfica.

Mais tarde, em apelo às suas preocupações de higienista, planeou e concretizou a organização dos Serviços Municipais de Saúde e Higiene do Porto. As ameaças movidas pela população da cidade, em consequência da implantação do rigoroso cordão sanitário durante o surto de peste de 1899, levaram-no a solicitar transferência para a Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Por cedência de prioridade de Bello de Moraes foi contratado como catedrático, regendo uma cadeira nova, a Higiene, que foi tornada independente da Medicina Legal. No desempenho das funções de Inspector-Geral da Saúde, organizou os serviços de saúde pública e representou Portugal em várias instituições internacionais, tendo recebido a honrosa distinção de Honorary Fellow da Royal Society of Medicine.

Culto, bibliófilo reconhecido, possuía inegáveis predicados estilísticos.

Deixou-nos um legado literário importante, que contempla variados géneros (ensaios, biografias, notas de viagem), reveladores de uma multifacetada personalidade. O Instituto para Alta Cultura editou parte da sua obra em 1926.

Considerado grande sanitarista da Medicina Portuguesa, a ele se deve a organização da saúde pública do país, mérito que lhe valeu reputação internacional.

A atribuição do seu nome à instituição portuguesa emblemática dos serviços de saúde pública é um justo tributo a um dos nomes mais proeminentes da medicina portuguesa dos primórdios do século xx.