Alberto Mac Bride [1952/1953]

49. Alberto Mac Bride

Alberto Mac Bride, 49.º Presidente da Sociedade, foi um dos cirurgiões mais cultos da sua geração, no dizer de Reynaldo dos Santos.

Oito anos após a licenciatura e já com destacada experiência cirúrgica, embarca, em 1917, com o C.E.P. para França, onde prestou valiosos serviços que originaram vários louvores e condecorações.

Director do banco de São José e do Serviço de Cirurgia dos Hospitais Civis de Lisboa, promoveu diversas reformas que muito prestigiaram a Instituição, nomeadamente a reabertura dos internatos médicos.

Participou na Direcção da Liga Portuguesa dos Combatentes da Grande Guerra e na Direcção da Associação dos Médicos Portugueses.

Foi membro da Associação de Arqueólogos, colaborando em particular com a secção de estudos olisiponenses. Foi membro da comissão organizadora do Grupo de Amigos de Lisboa. Foi historiador da Medicina, da instituição Hospitais Civis de Lisboa e da Medicina na Índia Portuguesa.

Na Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa elaborou uma extensa monografia correspondente ao período 1835-46 e que integrou o volume da comemoração centenária da Sociedade em 1923. Foi seu Secretário-Geral Adjunto entre 1949 e 1951, e Presidente durante escassos dois meses, em 1953, ano em que faleceu.

O seu valioso espólio cultural viria a constituir o núcleo principal do Museu Alberto Mac Bride efemeramente aberto no Hospital de Santa Marta.

Simões Ferreira [1950/1952]

48. Simões Ferreira

O Dr. Luís Carlos Simões Ferreira foi um considerado internista dos Hospitais Civis de Lisboa, onde durante muitos anos dirigiu a Enfermaria de Santa Isabel, no Hospital de São José.

Era no banco de São José, no Boletim Clínico, na Sociedade Médica dos HCL, nas carreiras médicas e no rigor e isenção dos seus concursos que os Hospitais Civis de Lisboa adquiriram a confiança e o respeito com que eram admirados. A personalidade do Dr. Simões Ferreira impôs-se nesse meio hospitalar pelo seu valor, qualidades pessoais e prestígio profissional como clínico.

Simões Ferreira era Vice-Presidente da Sociedade quando o presidente Henrique de Vilhena pediu a suspensão do exercício da presidência.

A sua colaboração na Sociedade foi sempre muito assídua, e a sua prestação teve marcada elevação e equilíbrio, factos que influenciaram as eleições que levaram Simões Ferreira a Presidente da Sociedade.

Durante o mandato de Simões Ferreira foi criada a secção de Gastrenterologia, que veio a dar origem à respectiva Sociedade autónoma, anos mais tarde, Júlio Dantas foi eleito sócio honorário, e foi elaborado o Regulamento dos prémios científicos Sanitas, que foram atribuídos durante muitos anos.

Os seus discursos inaugurais dos anos académicos de 1950 e 1951 despertaram muito interesse na classe médica e contribuíram para reforçar a intervenção da Sociedade das Ciências Médicas nos problemas sociais da época.

Henrique Vilhena [1949/1950]

47. Henrique Vilhena

O Professor Henrique Vilhena sucedeu ao Professor José António Serrano no ensino da Anatomia na Faculdade de Medicina de Lisboa e na Escola de Belas-Artes. Deixou uma vasta obra científica nos domínios desta ciência morfológica, cultivando com especial relevância a Miologia. Foi fundador de várias sociedades de Anatomia no estrangeiro, designadamente em Espanha e na América Latina. Fundou os Arquivos de Anatomia e Antropologia, que adquiriram grande prestígio pela qualidade dos seus colaboradores. A sua obra publicada estendeu-se muito para lá da sua actividade científica como morfologista, englobando estudos sobre antropologia e etnografia, ensaios sobre temas de História da Medicina e criações literárias de carácter filosófico e autobiográfico.

Mestre – assim todos os designavam – Henrique de Vilhena foi um académico ilustre pela obra vasta que deixou e pela formação de discípulos, de que se destacaram os nomes de Victor Fontes e Barbosa Sueiro, como figuras do maior relevo da escola de anatomistas que fundou e desenvolveu.