Salazar de Sousa [1932/1934]

40. Salazar Sousa

O Professor Jaime Salazar de Sousa, 40.º Presidente da Sociedade das Ciências Médicas, licenciou-se em Lisboa em 1893 e cedo rumou aos Estados Unidos onde, após prolongado estágio, obteve o diploma de especialista em Pediatria e Ortopedia pela Universidade de Boston, em 1897. Tal qualificação, invulgar para o nosso meio, viria a ter importantes consequências na sua vida profissional e na vida hospitalar de Lisboa.

Fundou em 1903 consultas de Pediatria no Hospital de São José e, mais tarde, no de Dona Estefânia, vindo a ascender a professor catedrático de Pediatria Cirúrgica e Ortopedia da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa em 1910. Deve-se-lhe a criação da Escola de Pediatria de Lisboa, por si fundada e acompanhada durante três décadas no Hospital de Dona Estefânia, de que foi director até 1940, e que alcançou justa reputação nacional. Salazar de Sousa foi um exímio operador, um pediatra de grande projecção e um investigador clínico de apurada intuição. Escritor e pedagogo, teve acentuado interesse pela cirurgia infantil que dominava com mestria. Deixou trabalhos relevantes, alguns dos quais pioneiros, sobre anestesia, kala-azar infantil, hiperesplenismo e esplenectomia, numa vasta obra científica com cerca de 90 títulos.

Para o Professor A. Celestino da Costa, «a escola de Pediatria fundada pelo Prof. Jaime Salazar de Sousa representa um dos mais autênticos serviços feitos a este País em matéria de Medicina»

Reynaldo dos Santos [1930/1932]

39. Reynaldo dos Santos

O Professor Reynaldo dos Santos exerceu o mandato de Presidente da Sociedade no apogeu da sua carreira profissional e académica, que se iniciou com estágios prolongados em França, Estados Unidos e Alemanha. Deles colheu, nos primórdios do século xx, uma visão moderna da Medicina que influenciou a sua prática e lhe proporcionou contactos fecundos com figuras de referência, cuja amizade cultivou ao longo da sua brilhante carreira de cirurgião. Cedo atingiu lugar de chefia nos Hospitais Civis de Lisboa e a cátedra na Faculdade de Medicina de Lisboa, tendo tido uma intervenção pioneira na individualização da Urologia. Partilhou do entusiasmo do seu tempo pelos estudos angiográficos e desenvolveu obra de relevo na arteriografia dos membros.

A sua obra científica é vasta e de especial brilho na patologia vascular.

Por ela recebeu títulos e honrarias fora do País, o que eleva a sua personalidade e obra à condição de excepção.

Se Reynaldo dos Santos concentrava reconhecidos talentos na arte cirúrgica, a sua cultura artística veio a assumir proeminência incomum em vários domínios, da pintura à azulejaria, com obras de referência na historiografia portuguesa, e a direcção da Academia Nacional de Belas-Artes por cerca de três décadas.

A obra de Reynaldo dos Santos inclui 400 estudos relacionados com a história e a crítica de arte que, adicionados a 235 trabalhos de medicina, «é o produto da universalidade do seu pensamento e a projecção dos seus trabalhos difunde-se largamente além-fronteiras», como o evocou Jaime Celestino da Costa.

A sua personalidade renascentista, iluminada cultura humanística e invulgar relevância social e académica nos domínios médico e artístico são a razão para ser lembrado, com admiração e reverência, como Mestre Reynaldo.

Silva Carvalho [1928/1930]

38. Silva Carvalho

O Dr. Augusto da Silva Carvalho, que não fez carreira académica nem hospitalar, foi um dos mais fecundos e rigorosos historiadores da Medicina Portuguesa, assimilando o pioneirismo de Maximiano de Lemos.

Nascido em Tavira, fez um curso brilhante na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e, durante a sua longa existência de nonagenário, realizou uma vasta obra como escritor médico na qual se destacam, entre outras, a História do Hospital de Todos-os-Santos, da Régia Escola de Cirurgia, da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, A Medicina nos séculos XVI, XVII e XVIII.

Em 1901 deixa a clínica particular e dedica-se à medicina das crianças pobres, no dispensário que dirigiu até 1910.

A sua actividade literária foi muito prolífica com mais de 400 títulos, dos quais 84 ligados à História da Medicina. Apresentou alguns desses trabalhos nos Congressos Internacionais de Medicina de Lisboa (1906) e Madrid (1935).

Silva Carvalho foi Cirurgião Honorário dos Hospitais Civis. Foi ideia sua a celebração do dia dos Hospitais Civis de Lisboa em 15 de Maio, em memória da colocação da primeira pedra do Hospital de Todos-os-Santos, por D. João II.

Falecido aos 94 anos, o Dr. Silva Carvalho deixou uma vasta obra de investigação histórica, que constitui um legado muito importante para o conhecimento da evolução da medicina em Portugal.

O seu vasto espólio literário encontra-se repartido pela Universidade de Coimbra, Biblioteca Nacional de Lisboa e Câmara Municipal de Tavira.

O Dr. Augusto da Silva Carvalho, que não fez carreira académica nem hospitalar, foi um dos mais fecundos e rigorosos historiadores da Medicina Portuguesa, assimilando o pioneirismo de Maximiano de Lemos.

Nascido em Tavira, fez um curso brilhante na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e, durante a sua longa existência de nonagenário, realizou uma vasta obra como escritor médico na qual se destacam, entre outras, a História do Hospital de Todos-os-Santos, da Régia Escola de Cirurgia, da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, A Medicina nos séculos XVI, XVII e XVIII.

Em 1901 deixa a clínica particular e dedica-se à medicina das crianças pobres, no dispensário que dirigiu até 1910.


A sua actividade literária foi muito prolífica com mais de 400 títulos, dos quais 84 ligados à História da Medicina. Apresentou alguns desses trabalhos nos Congressos Internacionais de Medicina de Lisboa (1906) e Madrid (1935).


Silva Carvalho foi Cirurgião Honorário dos Hospitais Civis. Foi ideia sua a celebração do dia dos Hospitais Civis de Lisboa em 15 de Maio, em memória da colocação da primeira pedra do Hospital de Todos-os-Santos, por D. João II.

Falecido aos 94 anos, o Dr. Silva Carvalho deixou uma vasta obra de investigação histórica, que constitui um legado muito importante para o conhecimento da evolução da medicina em Portugal.


O seu vasto espólio literário encontra-se repartido pela Universidade de Coimbra, Biblioteca Nacional de Lisboa e Câmara Municipal de Tavira.