Torres Pereira [1977/1985]

55. Torres Pereira

O Professor Artur Torres Pereira serviu, por um largo período de anos, a Sociedade das Ciências Médicas, como Secretário e Presidente (1967-85), emprestando-lhe o cunho organizado e meticuloso da sua personalidade e uma vincada liderança na defesa dos ideais da excelência intelectual da profissão médica.

Torres Pereira iniciou a sua carreira académica com trabalho meritório na investigação da biologia dos estafilococos, área em que alcançou, à época, justo reconhecimento na literatura internacional. Foi um cultor da microbiologia clínica, a que devotou a sua carreira assistencial, que concluiu nas funções de Director do Instituto Bacteriológico Câmara Pestana, instituição nacional com maiores pergaminhos na investigação das doenças infecciosas.

Conservador nos valores, foi inovador nas ideias, ajudando a abrir caminhos novos para a sua Escola e para a educação médica.

Dirigiu a reactivação do ensino no Campo de Santana que veio a dar origem à Faculdade de Ciências Médicas, é sua a paternidade mais legítima da moderna reforma curricular do ensino da Medicina, desenvolveu, por vezes solitário, um tenaz combate pela importância da medicina preventiva no curso médico, deu lugar académico à Medicina Geral e Familiar, ligando-a ao conceito de o ensino médico se centrar também na comunidade. Por essas áreas foi semeando discípulos que ampliaram a dimensão da sua obra.

Personalidade de grande robustez moral, Artur Torres Pereira teve uma vasta intervenção universitária e cívica em palcos variados, foi dedicado a causas e a instituições, com espírito de serviço público e dimensão de figura nacional na Medicina das últimas décadas do século xx.

Jorge Horta [1969/1975]

54. Jorge Horta

Jorge Horta foi o 54.º Presidente da Sociedade e um dos mais prestigiados patologistas da sua época. Discípulo de Wohlwill, mestre reputado da escola germânica de anatomia patológica criada por Virchow nos finais do século xix, Jorge Horta aproveitou a oportunidade que a vida lhe proporcionou e revelou-se um continuador fiel de tão eminente figura, desenvolvendo a escola e fazendo novos discípulos.

Os trabalhos científicos de Jorge Horta sobre a paramiloidose, a suberose e as lesões associadas ao torotraste, tornaram-no internacionalmente conhecido.

Jorge Horta possuía inegáveis qualidades de liderança, que o levaram a desempenhar cargos de chefia em numerosas instituições.

Todavia, era como professor que mais se sentia realizado. No momento da sua jubilação, afirmou com genuína sinceridade «... antes de tudo fui professor».

Jorge Horta dirigiu a Faculdade de Medicina de Lisboa em época de grande contestação universitária, que superou com o bom relacionamento que estabelecia com os estudantes. Como Bastonário da Ordem dos Médicos impôs respeito ao poder político da época, tendo na sua presidência sido elaborado o «Relatório sobre as Carreiras Médicas», de que foi relator Miller Guerra, e que constitui o documento de referência da profissionalização médica nas instituições públicas.

Jorge Horta, Presidente da Sociedade quando esta ocupou as suas instalações actuais na Avenida da República, era possuidor de um invulgar carisma, e deixou um vasto legado na História da Medicina Portuguesa pelas suas qualidades de pedagogo, investigador e profissional distinto.

Cid dos Santos [1965/1969]

53. Cid dos Santos

João Cid dos Santos foi um expoente alto da Medicina Portuguesa do século xx. «Um génio», assim o definiu profeticamente o seu mestre René Leriche, com quem havia trabalhado em Estrasburgo durante a sua formação cirúrgica.

Professor universitário, investigador, pensador, parlamentar, artista e criador de discípulos, nunca parou de pensar e de idealizar; predicados que se expressam numa frase que lhe era comum ouvir dizer: «o pensamento não tem horário».

Cid dos Santos, Homem com qualidades invulgares, abraçou as duas culturas de Charles Snow com vigor, pujança física, audácia e insatisfação intelectual.

O livro Cid dos Santos. Personalidade e Obra, editado pelos seus discípulos, oferece uma perspectiva impressionante da sua actividade e valoriza os aspectos mais salientes do seu perfil humanista, da sua rejeição da mediocricidade e da sua enorme capacidade de trabalho.

Impôs-se mundialmente na cirurgia vascular como introdutor da técnica da endoarterectomia, em 1946. As suas descobertas científicas reflectem que nem sempre a investigação clínica é necessariamente dispendiosa e que, por isso, não está impossibilitada de ser bem sucedida em países com recursos mais limitados.

Mantendo com seu pai, o Professor Reynaldo dos Santos, uma estreita ligação, singrou com perfeita autonomia pelas suas superiores qualidades.