Cândido Oliveira [1959/1965]

52. Cândido Oliveira

Cândido de Oliveira, o quarto professor de Bacteriologia e Parasitologia da Faculdade de Medicina de Lisboa, ocupou a cátedra durante 35 anos, e a sua acção influenciou os bacteriologistas portugueses de modo significativo.

O seu importante trabalho de investigação sobre o vírus rábico (tese de agregação) não teve infelizmente continuidade. Introduziu no País a vacina antituberculosa BCG, administrada fresca a todos os recém-nascidos em Portugal durante muitas décadas.

Foi um bom pedagogo e muitas das suas aulas de síntese foram publicadas na Lisboa Médica (Brucelose, Rickiettsioses, Vírus filtráveis, Gripe, Meningococo).

A sua sólida formação laboratorial levou-o a dirigir o Serviço de Análises Cínicas no Hospital de Santa Maria, inaugurado em 1954.

Pela primeira vez foi a Bacteriologia individualizada no seio das Análises Clínicas, o que foi repetido nos hospitais escolares do Porto e Coimbra e, muitos anos mais tarde, em outros hospitais centrais.

Cândido de Oliveira foi um estudioso do Ensino médico, de que é exemplo a sua modelar oração de sapiência na Universidade de Lisboa em 1966, onde estão previstas, antes do tempo, as modificações principais que hoje estão implantadas nas Faculdades de Medicina portuguesas.

Ayres de Sousa [1957/1959]

51. Ayres de Sousa

Ayres de Sousa foi o 51.º Presidente da Sociedade e o único que consagrou toda a sua actividade profissional à ciência radiológica, especialidade onde alcançou posição de grande notoriedade numa época em que esta área médica adquiriu proeminência científica em Portugal e prestígio no estrangeiro. São de sua autoria trabalhos pioneiros sobre quimioangiografia e microangiografia, que o consagraram na elite da geração médica que sinalizou no mundo a Medicina de Lisboa.

Ayres de Sousa foi, assim, contemporâneo e também protagonista da que veio a ser reconhecida como a escola portuguesa de Angiologia, que teve em Egas Moniz, Reynaldo dos Santos, Lopo de Carvalho, João Cid dos Santos e Sousa Pereira as suas figuras mais emblemáticas.

A actualização dos procedimentos técnicos de contraste que iam sendo introduzidos na radiologia para visualização de estruturas e órgãos teve a sua dedicada atenção, e foi pela sua mão que surgiram em Portugal os contrastes com eliminação electiva pelo rim e pela vesícula biliar.

Com preocupações culturais ligadas às suas raízes, Ayres de Sousa desenvolveu um valioso trabalho de pesquisa sobre a Medicina Portuguesa no Oriente e em especial no Japão. Estudioso, cultivou a sobriedade, predicados que espelhou no seu mandato de Presidente da Sociedade.

Xavier Morato [1953/1957]

50. Xavier Morato

O Professor Xavier Morato, que foi o 50.º Presidente da Sociedade de Ciências Médicas, exerceu um mandato influenciado pelos caminhos que o seu próprio percurso cruzou: a emergente importância da biologia na medicina moderna, na explicação dos seus fundamentos e nas promessas de aplicação prática no seu futuro. Foi o primeiro professor dessa nova disciplina – a Biologia Celular – na Faculdade de Medicina de Lisboa.

Xavier Morato foi um internista respeitado pelos seus conhecimentos médicos muito vastos, pelo seu espírito arguto e pelo seu sentido clínico. Todavia, foi como morfologista que a sua intervenção académica e científica e a sua carreira adquiriram justa proeminência. Descendente da escola de microscopia de Lisboa, que teve em May Figueira, Celestino da Costa e Roberto Chaves os seus mais iluminados cultores, Xavier

Morato acrescentou-lhe prestígio como virtuoso na aplicação das impregnações argênticas no estudo da hipófise e no uso da microscopia electrónica, metodologia de que foi um dos primeiros utilizadores em Portugal. As suas investigações ultra-estruturais deram origem a uma obra científica que se dispersa por um amplo campo de interesses.

Na Faculdade de Medicina de Lisboa, a sua direcção ficou assinalada por uma marcada evolução na organização administrativa da Escola, que muito foi beneficiada pelo prestígio de que gozava junto do poder político.

O Professor Xavier Morato foi um notável pedagogo: as suas exposições possuíam invulgar clareza e uma apurada elegância. Os textos das suas aulas originaram publicações didácticas de referência, constituindo peças modelares de actualidade, rigor de escrita e elegância formal.